Voo à base de querosene e óleo de cozinha reciclado é feito pela Gol

Herculano Foz

A Gol realizou nesta quarta-feira (23) o primeiro voo comercial com combustível alternativo no Brasil: no caso, óleo de cozinha reciclado de restaurantes da Califórnia

Não é novidade para ninguém que o óleo de cozinha é comumente usado para fritar alimentos ou utilizado na fabricação do sabão caseiro. Porém, a nova utilidade do óleo de cozinha pode causar até certo espanto: agora, ele pode ser usado como biocombustível em voos comerciais. A companhia Gol Linhas Áereas apostou nessa ideia, realizando o primeiro voo comercial regado a óleo de cozinha reciclado. Pela primeira vez na história da aviação do país um biocombustível foi utilizado na mistura com querosene tradicional para aviões.

Primeiro voo comercial brasileiro com biocombustível, da Gol (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)

Primeiro voo comercial brasileiro com biocombustível, da Gol (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)

O voo foi realizado no dia 23 do mês passado, e utilizou óleo de cozinha reciclado de restaurantes da Califórnia. A mistura de até 25% de bioquerosene alternativo foi adicionada ao querosene de aviação (QAV) tradicional no voo G3 1408, que saiu de Congonhas para Brasília. A operação com combustível renovável, feita pela Gol, pode reduzir em até 80% a emissão de gases de efeito estufa. A iniciativa representa um importante marco no programa Plataforma Brasileira de Bioquerosene, que reúne grandes empresas como Gol, Embraer, Boeing, Amyris e outras entidades públicas com o objetivo de viabilizar uma produção em escala comercial.

A produção em escala comercial é, por enquanto, inviável devido aos preços de combustíveis de aviação alternativos. Neste caso, o biocombustível chega a custar de 350% a 400% mais caro que o querosene de aviação tradicional: enquanto o QAV custa em torno de R$ 2 o litro, o combustível alternativo gira em torno de R$ 7,50 o litro. Os diretores da Gol afirmam que o voo realizado com o biocombustível é somente um marco simbólico, já que a produção em larga escala ainda não é viável.

Cerca de 1500 voos comerciais – ou seja, com passageiros pagantes – já foram realizados no mundo com a mistura de biocombustível com QAV. Nos últimos seis meses, a empresa KLM realizou um voo por semana de Amsterdã para Nova York utilizando óleo de cozinha reciclado. No entanto, esse número é muito reduzido e limitado se comparado ao número total de voos da empresa. No Brasil, Azul e a própria Gol já haviam realizado voos teste, sem passageiro, com biocombustível, durante a Rio+20.

Além de realizar o voo pioneiro aqui no Brasil, a Gol também anunciou o programa “Copa Verde”, cuja meta principal é fazer 200 voos comerciais com bioQAV (ou seja, a mistura de biocombustível com o QAV tradicional) entre as cidades sedes da Copa do Mundo no Brasil. Embora seja um avanço, esse número é realmente muito simbólico diante da quantidade total de voos que a empresa realiza durante um mês (25 mil). Na sequência, ainda no ano que vem, a Gol vai fazer ao menos uma rota diária com bioQAV, na proporção de 10% para 90% de querosene fóssil. A ideia é chamar a atenção para a importância do desenvolvimento da indústria de querosene alternativo.

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