Yoga e a filosofia: amar a vida, amar o mundo!

Bibiana Garrido

A prática milenar vai muito além da atividade física e defende a união entre corpo, mente e natureza

A cultura oriental sempre foi objeto de curiosidade para nós, filhos da ciência moderna e habitantes do outro lado do mundo. Talvez por receio do desconhecido ou por um infeliz preconceito, muitas pessoas acabam ignorando, ou até mesmo subestimando os místicos ensinamentos orientais. Dentre eles, predomina a visão da natureza como extensão do homem, de forma que ambos possam se relacionar e se completar no Todo do universo. É essa filosofia em que permeia também o yoga, atividade que se desenvolveu há mais de cinco mil anos no extremo oriente, mais precisamente na Índia.

Pesquisando um pouco sobre a cultura indiana e o yoga, descobri que existem muitos jeitos de se falar ou escrever essa palavra aqui no Brasil: pode ser do modo aportuguesado, “ioga”, e com entonações diferentes, de um modo mais aberto, “yóga” ou “ióga”, ou mais fechado, “yôga” ou “iôga”. Para acabar logo com essa confusão desnecessária, acabei descobrindo também que não existe um jeito errado de nos referirmos ao yoga, todos são exatamente iguais em termos de sânscrito, que é uma das vinte línguas oficiais da Índia e que originou essa palavra.

Mas o que é o yoga? Uma mistura de ensinamentos filosóficos com exercícios físicos? Pode-se dizer que sim! Os praticantes dessa atividade não podem ser comparados aos que se exercitam em academias de ginástica, por exemplo. Por trás do yoga há um conjunto de valores ideológicos que não se limita a buscar melhorias físicas, mas, também, o crescimento da consciência do próprio ser. “A incessante busca por uma felicidade que não absoluta, uma felicidade que não aumenta nem diminui, na qual posso permanecer totalmente satisfeito, é de fato o que nos move”, explica Cauê dos Reis, professor de yoga em Bauru e estudioso do hinduísmo.

Vedānta e o autoconhecimento

Com sua jornada no caminho do yoga iniciada em 2005, Cauê é afiliado da Aliança do Yoga (entidade autônoma para a união de profissionais do ensino do yoga no Brasil) e estuda Vedānta conforme os ensinamentos de Swāmi Dayānanda Saraswatī, um importante estudioso da religião hindu. Parece complicado, né? Aqui vai uma explicação bem resumida: Vedānta é uma tradição de ensinamentos hindus que leva cada um a descobrir que já é toda a felicidade que sempre buscou. Isso porque, de acordo com a filosofia do yoga, perseguimos experiências desejáveis o tempo todo e projetamos nelas e em outros objetos, pessoas e experiências, a nossa felicidade. “Essa busca é incessante e mantém o indivíduo ‘preso’ ao samsára, o sofrimento”, ensina Cauê. “O Yoga nos possibilita uma visão objetiva da realidade, na qual aprendemos a neutralizar essas projeções e seus resultados aflitivos. Em outras palavras, paramos de delegar a responsabilidade da nossa felicidade às coisas o que, por sua vez, nos permite reconhecer que já somos a felicidade que tanto buscamos”.

"Dá só uma olhada no significado dessa saudação hindu!" (Foto: http://novalorien.tumblr.com/)

“Dá só uma olhada no significado dessa saudação hindu!” (Foto: http://novalorien.tumblr.com/)

Para o professor Cauê, o verdadeiro benefício do yoga é o autoconhecimento. “Não importa o nome que você usa para isso: liberdade, Paz, plenitude, Felicidade, Consciência e até mesmo Deus, pois quando me vejo como já sendo completo, fico livre do sofrimento. Aprendo a olhar e a me relacionar com a vida como ela se apresenta, pois nada é mais divino que o aqui e o agora, o momento presente é de fato eterno”. A percepção de si e do que está em volta, portanto, faz parte da conduta dos praticantes do yoga. No entanto, Cauê faz um alerta para aqueles que aderem ao yoga sem conhecer sua filosofia, pois “quando praticamos, apenas, sem estudar, sem saber o propósito real disso tudo, teremos igualmente os benefícios para o complexo corpo-mente, mas nunca o ensinamento, ou a visão que nos liberta do sofrimento, que é o objeto real”.

10 benefícios do yoga

1 – Ajuda a conquistar e manter uma boa saúde.

2 – Alivia doenças respiratórias, dores nas costas, auxilia na perda de peso, desordens do aparelho digestivo, melhora o sistema cardiovascular, o funcionamento das glândulas endócrinas e pode ser utilizada como terapia de apoio para inúmeras enfermidades. Também beneficia o sistema nervoso e o cérebro.

3 – Alivia ou elimina gradativamente problemas físicos originários de causas psíquicas (doenças psicossomáticas).

4 – Possibilita sensível melhora da condição estética e definição corporal. Podemos trabalhar o corpo sem desenvolver hipertrofia (aumento de volume de massa muscular).

5 – Aprimoramento do intelecto, concentração e memória.

6 – Melhora e reforça a autoestima, a autoimagem e a força de vontade.

7 – Melhora a forma de nos relacionarmos conosco, com os outros e com o mundo.

8 – Proporciona alívio de estresse.

9 – Possibilita entrarmos em contato com a real expressão de nosso potencial latente.

10 – Proporciona autoconhecimento e paz interior.

Fonte: http://migre.me/gLcZX

Criando alicerces para alcançar o equilíbrio

Você já deve estar pensando: como aquelas posições complicadas podem criar e refletir uma filosofia de vida? Na verdade, as asanas, como são chamadas essas posturas ensinadas no yoga, são apenas o primeiro passo para se alcançar a verdadeira ética e os ensinamentos da prática. A Bhagavad Gita (em sânscrito, “Canção de Deus”) é um texto religioso hindu e também uma das principais escrituras sagradas da Índia, que traz ensinamentos importantes sobre essa filosofia indiana. Dentre eles, estão as três definições do yoga:

1. “Equilíbrio da mente é Yoga”

“Quando se desapega dos sentimentos e das ações negativas, das emoções descontroladas, das ilusões, você está se estabelecendo no Yoga. Está em um processo de reestruturação, criando um alicerce sólido, não permitindo que os acontecimentos externos afetem sua estabilidade interna”, conta Emilce Shrividya em matéria para o site Vya Estelar. Podemos perceber que para se alcançar o verdadeiro estágio de praticante de yoga é necessária uma verdadeira iniciação, com o desenvolvimento da perseverança, da paciência e da estabilidade. “Todas as suas ações devem ser verdadeiras e honestas. Para se alcançar o equilíbrio da mente, é muito importante a vigilância sobre os pensamentos e a prática da meditação por um período prolongado. É preciso praticar com firmeza e constância, para estabilizar o que já se alcançou, e assim, suas conquistas internas se tornarão permanentes”, completa Emilce.

2. “Yoga é a habilidade na ação”

Retomando os pontos de vigilância das ações e manutenção destas para o bem, a segunda definição do yoga nos encaminha para o altruísmo, para que, em conjunto com os exercícios físicos e a entoação de mantras, possamos “parar de apontar os defeitos alheios e de querer provar que somos melhores que as outras pessoas”, libertando-se do orgulho e da competição. Emilce alerta que a busca da força e da paz interior passa por caminhos de mudança, nos quais precisamos fazer o bem sem pedir nada em troca.

3. “Yoga é romper a união com a dor”

"Om é o mantra mais importante do hinduísmo, considerado o corpo sonoro do Absoluto e o som do universo" (Foto: http://tryptaminefaded.tumblr.com/)

“Om é o mantra mais importante do hinduísmo, considerado o corpo sonoro do Absoluto e o som do universo” (Foto: http://tryptaminefaded.tumblr.com/)

Baba Muktanda, um grande mestre yogue, ensina que a felicidade vem de uma nova leitura do sofrimento. O yoga ensina a ser feliz apesar de toda a maldade neste mundo atroz e nada benevolente. Isto é, o yoga ensina a nos desligarmos das nossas aflições e vê-las de outro ângulo, a fim de analisá-las e conseguir entendê-las – dar a elas outro significado.

Segundo as escrituras indianas, existem três tipos de aflições:

1ª- É o sofrimento causado pelo corpo ou pela mente. É gerado internamente por doenças no corpo e desejos insatisfeitos da mente. É causado por hábitos errados na alimentação, vida indisciplinada e pelos vícios. É causado pela busca dos prazeres dos sentidos, que são gratificantes no início, mas se transformam em dor e doenças.

2ª- É a aflição causada pela natureza, pelos terremotos, enchentes, seca, clima muito frio ou muito quente. O sofrimento causado por insetos ou calamidades.

3ª- É o sofrimento causado pelos espíritos e energias negativas. (É bom purificar o ambiente colocando incenso, cantando e ouvindo mantras, pedindo paz a todos os seres. Manter a mente positiva também é muito importante para sintonizar com energias positivas).

Fonte: http://migre.me/gLI7g

O yoga nos ensina a olhar dentro de nós mesmos e a ver essas três aflições com mais clareza, sem a pressão que elas exercem em nós. A prática do yoga cultiva virtudes como paciência, humildade, aceitação e firmeza interior. E são essas as qualidades necessárias para suportar a dor e entender que ela é merecida, mas que deve ser encarada com coragem e clareza de espírito. Isso é deixar de ser vítima e se tornar um guerreiro com fé e força, que vê em cada experiência da vida, tanto as boas como as ruins, novas oportunidades de aprender.

Baba Muktanda enaltecia a importância de enxergar a dor e o sofrimento com gratidão, e dizia que, para isso, é preciso aprender uma nova linguagem. “Essa nova linguagem surge quando você sofre muito em sua vida. Aceitar o sofrimento é suportá-lo com coragem e firmeza; essa é a nova linguagem. É compreender que seu sofrimento é merecido, aceitá-lo alegremente e tolerá-lo com coragem”. Isso é entender que você não merece sofrer, mas mereceu aquela dor pelo que ela pode te trazer, e isso é resignificar suas aflições. Através do yoga, é possível se divorciar da dor, resignificando-a.

Se identificou com o universo do yoga?

Aqui em Bauru existem várias opções para quem quer se iniciar na prática. O centro Jaya Yoga é uma delas, lá você pode escolher seus horários e as aulas que deseja participar! Fica na Avenida Getúlio Vargas, 21-51, sala 66. O telefone para entrar em contato com o pessoal de lá é (14) 996362407.

Se você mora longe da Getúlio e acha que vai ser muito complicado chegar lá todo dia e tal, o que é o meu caso, por exemplo, dá pra praticar em outros lugares mais acessíveis! O projeto Yoga Verde é bem legal também e realiza encontros mensais no Bosque da Comunidade, que fica perto da Avenida Octávio Brisolla, sempre no segundo sábado do mês, das 11h às 14h. O professor Cauê dos Reis é um dos organizadores do Yoga Verde e convida a todos para o projeto, que além de ensinar yoga sempre tem um piquenique vegetariano no final! Para quem ficou interessado, o professor está disponível no e-mail cauereisyoga@gmail.com ou no telefone (14) 988054842. Namastê!

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