Natal, uma festa sincrética

Nathalie Valim

No maior país católico do mundo, o Natal é considerado uma das festas mais importantes do ano. Entenda a origem de algumas tradições natalinas, e as diferenças na celebração ao redor do mundo

Nos países em que a cultura cristã predomina é celebrado, no dia 25 de dezembro, o nascimento de Jesus Cristo. A figura do Papai Noel e o hábito de trocar presentes também são muito populares no mês de dezembro. Apesar de ser frequentemente relacionado a uma festa cristã, o Natal apresenta vestígios de diferentes grupos sociais, em variados períodos históricos. Além disso, é comum ocorrer uma mistura de costumes natalinos com mitos da cultura local.

A tradição de festejar o nascimento de Cristo no dia 25 é controversa, uma vez que a Bíblia não informa a data exata em que Jesus teria nascido, e nem sugere que o aniversário seja comemorado. A teoria mais aceita é a de que, ao se converterem para o cristianismo, os romanos teriam adaptado suas tradições à cultura cristã. De acordo com o livro “Um relato sobre mitologia”, a Saturnália era uma festa pagã romana dedicada ao deus Saturno. A festa acontecia entre os dias 17 e 23 de dezembro, durante o solstício de inverno, e era celebrada com banquetes e sacrifícios. No decorrer deste festival, todos os homens, escravos e cidadãos eram tidos como iguais.

A celebração era uma das mais populares de Roma, e comemorava o fim do ano agrário. Segundo Marco Valério Marcial, escritor de “Xenia” e “Apophoreta” (livros que descrevem as Saturnálias ocorridas no século I), era comum a troca de presentes entre amigos, como pequenas figuras de terracota ou prata e velas de cera. Posteriormente, foi chamada de Brumália, e sobreviveu até o século IV d.C. – ano em que os romanos se converteram – sendo possivelmente absorvida pela comemoração do Natal. Ademais, a deusa persa Mitra, que era influente entre os romanos até a adoção do cristianismo, tinha seu aniversário comemorado no dia 25 de dezembro, assim como o deus egípcio Hórus.

A lenda do Papai Noel é baseada em São Nicolau Taumaturgo, um arcebispo da cidade de Mira, na Turquia, que viveu no século IV. São Nicolau distribuía moedas e auxiliava os necessitados. A ele foram atribuídos diversos milagres e, posteriormente, foi canonizado pela Igreja Católica. Em 1822, um professor americano chamado Clemente Clarke More, escreveu para seus filhos um poema chamado “A visita de São Nicolau”, em que descrevia a aparência física do Papai Noel, seu modo de transporte e a tradição de dar presentes às crianças. Seu poema, que ficou famoso, foi o grande responsável pela concepção de Papai Noel que vigora atualmente. No início do século XX, a Coca-Cola lançou um comercial em que o Papel Noel utilizava trajes vermelhos e brancos, que remetem à cor da marca, e assim ficou popularizada a imagem do velhinho.

Na região dos Alpes, especialmente na Alemanha e na Áustria, existe uma criatura mitológica que acompanha São Nicolau na época do Natal. Semelhante a um demônio com pele de ovelha e chifres, Krampus pune as crianças más, enquanto São Nicolau presenteia as obedientes. Na Baviera alemã e na região de Salzburgo, faz parte da tradição os jovens se fantasiarem de Krampus no início de dezembro e saírem pelas ruas assustando crianças com correntes e sinos enferrujados. No Brasil, existem resquícios dessa lenda no Vale do Itajaí, em Santa Catarina. Próximo ao dia de São Nicolau, dia 6 de dezembro, aparece um homem com roupas velhas chamado Pensinique (deturpação de Pelznickel, nome usado no sul da Alemanha), que carrega correntes e leva instrumentos em um grande saco para aterrorizar as crianças malcriadas.

Homens fantasiados de Krampus com criança no colo (Fonte: http://persephonemagazine.com/2011/12/holy-holiday-hell-the-krampus/)

Homens fantasiados de Krampus com criança no colo (Fonte: http://persephonemagazine.com/2011/12/holy-holiday-hell-the-krampus/)

Nos países nórdicos, sobretudo na Islândia, o Natal é celebrado de uma maneira diferente, se adequando às tradições pagãs. Conforme conta o blog “Vida na Islândia”, a lenda mais popular é a de Gryla, uma mulher troll que vive nas montanhas com seu marido, seus 13 filhos e com um gato, o Gato do Natal. Todas as noites do dia 24 de dezembro, Grýla sai em busca de crianças mal educadas para colocar em seu caldeirão e comer no jantar. Na cultura islandesa não existe somente um papai Noel, mas treze. Os papais-noéis são filhos de Grýla, e cada um comete uma travessura diferente. As crianças deixam um sapato na janela durante os treze dias antecedentes ao Natal, e caso a criança tenha se comportado bem, encontrará na manhã natalina um presente em seu sapato, porém, se foi desobediente, ganhará uma batata. Os islandeses acreditam que para não ser devorado por um gato gigante na ceia natalina, é preciso usar roupas novas. Essa é a lenda do Gato do Natal, que de acordo com a teoria mais popular, foi criada para que as crianças ficassem com medo e terminassem de tecer e costurar suas roupas para as festividades de fim de ano.

Grýla, seu marido, os trezes filhos e o Gato do Natal (Fonte: http://www.julli.is/jol/gryla.htm)

Grýla, seu marido, os trezes filhos e o Gato do Natal (Fonte: http://www.julli.is/jol/gryla.htm)

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