Ponte Preta: orgulho do interior alça vôos internacionais

Lucas Mendes

Time de Campinas realiza campanha histórica e está perto de alcançar o seu primeiro título

Considerado por muitos “especialistas” como sendo o clube com maior torcida do interior do Brasil, além de possuir os torcedores mais fanáticos entre os times que não estão nas capitais brasileiras, a Ponte Preta definitivamente tem seu lugar na longa e bela história do futebol brasileiro.

Ora, e não é pra menos! Um time que passa 113 anos sem ganhar um título sequer, e ainda consegue manter essa qualificação para sua torcida deve ter algo de especial. Para não dizer algo mágico e místico.

É claro, a magia e o misticismo sempre fizeram parte do ideário futebolístico. Sempre a superstição entra em cena quando o futebol resolve aprontar das suas surpresas. Sempre se apela para os tão falados “deuses do futebol”, que conspiram lá do alto os resultados das partidas que nós, meros mortais, apenas poderemos rir ou chorar.

A Ponte Preta e seu símbolo, a macaca (Foto: lanssports.blogspot)

A Ponte Preta e seu símbolo, a macaca (Foto: lanssports.blogspot)

A macaca, como a Ponte Preta é conhecida, está protagonizando um espetáculo que prova que o futebol não é apenas um jogo. Com aquela fama própria dos times do interior, que já entram muitas vezes desacreditados para os campeonatos, que passam por malabarismos mirabolantes com a contabilidade, e vivem quase sempre à sombra do endividamento e da perda de seus jogadores para times maiores, a Ponte Preta confirma que não é só de resultados que se faz um time de futebol.

E agora, no momento em que ela fez sua estreia em terras internacionais, chega a um final surpreendente. Tão ou mais surpreendente foi sua campanha até aqui. Não bastasse estrear em competições internacionais, tinha que ser do jeito mais difícil. Adversidades, imprevistos, desgaste, altitude, frio, teve de tudo na aventura campineira na Colômbia. Já tendo ganho aqui no Brasil por 2 a 0, a macaca se deu ao luxo de perder para o Deportivo Pasto por 1 a 0 na casa colombiana. Passaporte carimbado para as quartas de final.

O adversário era o Vélez Sarsfield, uma vez campeão da libertadores e também campeão do mundo. Após empate em Campinas por 0 a 0, o jogo decisivo seria em solo argentino. Em noite histórica, a macaca elimina os hermanos por 2 a 0, e garante vaga para a semi-final, contra um adversário brasileiro, o tricolor paulista, São Paulo F.C.

Torcedores da Ponte no obelisco de Buenos Aires, Argentina. Cerca 800 brasileiros acompanharam o jogo (Foto: EFE / globoesporte)

Torcedores da Ponte no obelisco de Buenos Aires, Argentina. Cerca 800 brasileiros acompanharam o jogo (Foto: EFE / globoesporte)

Novamente, a velha sina apareceu. Entrando em campo com humildade, foi enfrentar o adversário em sua casa. O palco da batalha? Cícero Pompeu de Toledo, conhecido também como o estádio do Morumbi. O jogo começa com nenhuma novidade, até Ganso dar um arremate preciso e abrir o placar para o São Paulo.

É aí que as coisas começam a mudar. Sem tomar conhecimento da situação, a Ponte Preta passa a dominar o jogo. De repente, 1 a 1. Logo depois, 2 a 1. No finalzinho, 3 a 1. Sim. A macaca aprontou pra cima do tricolor e fez o resultado fora de casa.

Desespero são paulino em pleno Morumbi. A Ponte Preta venceu e convenceu mesmo fora de casa (Foto: EFE / globoesporte)

Desespero são paulino em pleno Morumbi. A Ponte Preta venceu e convenceu mesmo fora de casa (Foto: EFE / globoesporte)

Ainda teve que jogar a segunda partida longe de Campinas, por alegações de que seu estádio não comportaria o número adequado de torcedores para uma semi-final. Sem problemas. O palco do jogo de volta seria em Mogi Mirim, e o fato da mudança só instigaria mais, tanto os jogadores como os torcedores, a ganharem mais uma.

A fanática torcida da Ponte fez sua parte, e lotou o estádio em Mogi Mirim (Foto: EFE / globoesporte)

A fanática torcida da Ponte fez sua parte, e lotou o estádio em Mogi Mirim (Foto: EFE / globoesporte)

No fim, prevaleceu o que se esperava. A Ponte Preta segurou-se como pôde e passou para a final com um empate de 1 a 1.

Mesmo  com tudo contra, mesmo sendo rebaixada no campeonato brasileiro desse ano, mesmo o técnico Jorginho testando 25 formações até achar a Ponte ideal, a finalíssima, enfim, estava aí.

A formação definitiva da macaca: Roberto; Artur, César, Diego Sacoman e Uendel; Baraka, Fernando Bob, Fellipe Bastos e Elias; Rildo e Leonardo (Foto: EFE / globoesporte)

A formação definitiva da macaca: Roberto; Artur, César, Diego Sacoman e Uendel; Baraka, Fernando Bob, Fellipe Bastos e Elias; Rildo e Leonardo (Foto: EFE / globoesporte)

O adersário é novamente um argentino, dessa vez o Lanús. Nada que intimide os determinados jogadores da Associação Atlética Ponte Preta, que assim como todo clube de menor expressão, transparecem de vontade e gana para vencer pelo clube, mais do que pelo salário no fim do mês.

Agora o cenário é a capital paulista. O palco é o Pacaembu, que os torcedores pontepretanos já prometeram transformar em “macacaembu”. Nessa quarta-feira, 04/12, o Brasil se tece de alvi-negro (com exceção do arqui-rival de Campinas Guarani), e torceremos todos pela macaca. O segundo clube mais antigo do país, que data do longínquo ano de 1900, aguarda ainda o seu primeiro título. Já chegou a hora dos deuses do futebol intervirem em favor da macaca. Pois então que seja agora.

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