Aquela meia tonelada de cocaína que tentaram ignorar

Michael Barbosa

Apreensão gigantesca de droga no Espírito Santo diz muita coisa sobre alguns dos gigantes da nossa comunicação

Charge

443 kg de pasta base de cocaína apreendidos no Espírito Santo. O dono do helicópetero que transportava a droga, o deputado estadual Gustavo Perrella (SDD – MG), filho de Zezé Perrella, senador (PDT – MG). A aeronave já tivera seu combustível pago por verba de gabinete várias vezes anteriormente. Perrella pai e filho negaram, claro, qualquer conhecimento da operação – foi coisa do piloto e do co-piloto, dizem. Zezé é aliado e amigo próximo do presidenciável tucano para 2014, o também senador Aécio Neves (PSDB – MG). A repercussão da grande mídia nacional foi metade cautela e metade omissão.

Pai e filho, até que se prove o contrário, são inocentes e esse é o tratamento que os assiste – aos dois e a todos nós, mas isso não explica o pouco caso da Rede Globo e o atraso de três dias do Jornal Nacional em noticiar o caso; não explica as notícias tão tímidas e sem destaque dos portais G1 e UOL; não explica, tampouco, porque a primeira notícia da Folha de São Paulo sobre o caso é de 28 de novembro, quatro dias após o ocorrido. Nenhum grande jornal do Rio de Janeiro ou de São Paulo estampou a apreensão como capa no 25 de novembro, dia seguinte à apreensão.

A tentativa, parcialmente frustrada, de certos setores da nossa mídia em abafar uma das maiores apreensões de cocaína do ano – para exemplificar, em todo o ano de 2012 foram apreendidas 20 toneladas da droga no país -, no helicóptero de um deputado estadual filho de um senador, é uma amostra do que existe de mais sujo no jogo político-midiático nacional.

Basta o simples e óbvio exercício de suposição, imaginar a magnitude desse escândalo se a mesma história tivesse como personagens, no lugar dos Perrella, algum outro sobrenome, aliado ao PT da presidente Dilma, ao PSB de Eduardo Campos ou a qualquer outra figura pública que não implicasse, jamais, Aécio Neves, esse baluarte no qual se sustenta os últimos suspiros de esperança tucana em retomar a presidência da república.

O que assistimos nesse caso é a mais pura tentativa de agendamento do debate político. O que fazem Globo, Folha e outros, é o mais cabal exemplo do que já alertava Perseu Abramo: o grupo de mídia como partido político.

 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s