Estereótipos, África do Sul e um brasileiro

Amanda Fonseca

Era uma aula de Teoria da Comunicação, o assunto então surgiu: estereótipos na mídia. Conforme a discussão foi se aprofundando, os alunos puseram-se a analisar a relação entre estereótipos e a necessidade de compreensão da mensagem nos meios de comunicação. Toda mensagem para ser compreendida precisa de referências, contextualização. Assim compreenderam que nem todo estereótipo é ruim, mas a generalização pode ser prejudicial.

É fácil dizer que se conhece um país pelo noticiário internacional, classificar toda uma nação por meio das manchetes a ela relacionadas. Pode até ser que as notícias digam a verdade, mas para se CONHECER um país é preciso estar em contato com ele, é preciso se inserir na sua cultura e ter aquele “choque” de realidade, e que fique bem claro, isso não é necessariamente ruim.

A África do Sul, um território que viveu por séculos sob domínio estrangeiro, que passou por um regime de segregação racial de mais de 40 anos e hoje chora a morte do seu maior líder, pode ser vista como uma nação pobre e marcada pelo sofrimento. Mas quem já esteve por lá consegue enxergar outro ângulo da história e construir uma imagem além das manchetes sobre Mandela.

O brasileiro Jonathan Silva teve a oportunidade de ir para África do Sul e conta um pouco sobre sua experiência:

Normalmente quando se pensa em viajar para o exterior, os destinos mais cotados são Europa e Estados Unidos. Por que você escolheu a África do Sul?

Escolhi a África do Sul por ser um país lindo, cheio de maravilhas naturais, riquíssimo em cultura, cheio de vida animal exótica, de costumes diferentes.

Quais as maiores diferenças para você entre o Brasil e África do Sul?

Devo começar respondendo algumas semelhanças, como a alegria e a receptividade do povo sul africano. Somos muito parecidos no comportamento. Quanto às diferenças, algo que notei muito foi a riqueza e modernidade das cidades que visitei. Logicamente são lugares turísticos, mas quando se pensa em África, logo vem pobreza e fome à cabeça, mas os lugares por onde passei eram lindos, organizados, limpos, modernos. O sul africano lembra muito o povo brasileiro pela alegria, mas não se vê tanta miscigenação como no Brasil.

O que você traria de lá? O que você levaria do Brasil para eles?

Traria muito artesanato africano para o Brasil. Os nativos têm muita influência tribal em sua arte, o que a deixa com aspectos únicos. Traria também muita comida (é deliciosa). Para os sul-africanos, eu levaria nossa música, que é diferente e alegre, e certamente faria os africanos mexerem o corpo.

Há 20 anos, os sul-africanos se consideram livres da segregação racial que os assombrou, mas quais os vestígios visíveis do regime de apartheid?

Particularmente, não vi explicitamente exibições de preconceito. Mas como mencionado antes, se vê pouca miscigenação. Ouvi também enquanto estive por lá sobre lugares específicos para negros e brancos ativos até hoje, como academias e lojas, por exemplo.

Por fim, o que mais te marcou na África do Sul ou o que mais te surpreendeu no povo sul-africano?

O que mais me foi a festa que eles fazem com tudo. São muito felizes ao receber alguém. Tudo é motivo de festa. Todos falam sorrindo. Todos dançam em tudo.

E assim, voltando à aula de Teoria, talvez os alunos realmente concluíssem que a generalização é um ato falho. Ao se pensar em África do Sul, não se esqueceriam do apartheid, de toda a pobreza da nação, não se esqueceriam do grande líder que foi Mandela, mas ao pensarem em África do Sul iriam além da imagem pré-formada, iriam além do estereótipo.

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