Sentimento de papel

Nathália Rocha

Crônica

Amor de Papel

Desenha-se uma vida. Outra que a acompanhe. Uma trilha sonora ao fundo, músicas que seguem conforme os traços, mudam de acordo com o desenrolar da narrativa. Quadros de palavras e pensamentos são colocados. Aos poucos, a história ganha contornos, e toda uma coragem nela é posta. Ao som da melodia, aqueles dois seres bidimensionais se encontram e enfrentam todo um mundo que lhes é contra.

Sentimentos se originam como massas amorfas, mas ganham formas no lápis que nunca cessa. Graves e agudos surgem, dançam no ritmo dos fios de pensamento. Tristes tons, alegres cores, tudo vibra. O branco ganha contornos, as dúvidas se findam. Sem reticências pois no papel a história é fluida. Dedos que se entrelaçam, palavras desconexas tornam-se sonetos, a música continua, o clímax dá as caras.

Sorrisos tímidos que se cruzam, traços de olhares mudos que se encontram, desenham, numa metalinguagem, toda uma declaração. Lábios se abrem por instantes, o lápis diminui seu ritmo, tons lentos compõe dois suspiros que de pronto emudecem. Como num quadro mágico, fugaz, o branco vem. Tudo branco. Toda uma narrativa em meio a um fio de memória, desconexa pois do papel não foi liberta, diante de um ponto final inexistente

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