#partiumundoreal

Camila Pasin

Até que ponto a tecnologia nos é benéfica? Fazemos bom uso dela? Leia mais sobre esse ciclo vicioso que já se tornou parte do dia-a-dia de muitos internautas

Cena do documentário “Connected”, que fala sobre o vício na internet. Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=TbU4wrKVxUo

Você se considera uma pessoa viciada em tecnologia? Garanto que sua resposta foi não. Eu também responderia o mesmo. A verdade é que estamos tão acostumados com ela que nem nos damos conta do espaço que os meios tecnológicos e os eletrônicos ocupam na nossa vida. Nós vivemos de tecnologia. Problema maior é quando passamos a viver para a tecnologia. E essa realidade é cada vez mais presente no dia-a-dia de muitas pessoas. Nem digo “jovens” porque essa prática não se restringe só a essa geração, já contagiou as outras também.

Pensando primeiramente nas redes sociais… É incrível o protagonismo que essas redes de relacionamento alcançaram na vida das pessoas. E, claro, vale lembrar que não me excluo disso. Confesso que entro no Facebook todos os dias para conferir as atualizações, às vezes dou uma olhadinha no Instagram para ver o que tem de novo e, como todos os usuários dessas redes, também compartilho informações da minha vida pessoal. Mas a questão vai muito mais além do que isso. O vício vai mais além.

Em uma situação hipotética: a personagem fictícia Maria sempre sonhou em viajar para Paris. E ela consegue uma oportunidade de realizar tal viagem, ganha a passagem em uma promoção. Fica extremamente feliz, tira rapidamente seu celular do bolso e já divulga a novidade aos seus seguidores do Instagram: “#parisaivoueu #partiu”. Antes de viajar, a preocupação central era conferir a bateria de seus eletrônicos e, ao chegar ao aeroporto, fazer o check-in no Facebook. Ah, claro que ela já publicou fotos das malas sendo arrumadas antes. Seus amigos não podem perder nenhuma etapa do processo.  Já no avião, Maria decide ouvir algumas músicas para passar o tempo. Coloca sua playlist preferida e pensa nas letras das canções. “Nossa, que bonito trecho! Vou postar no Face quando chegar”. Ela desembarca. Maria fotografa cada detalhe de sua viagem: a comida, as pessoas, ela mesma, a rua, os carros, os tickets de metrô… Ah é, e os lugares turísticos de Paris, que Maria analisa com um olhar diferente: “Que pose é melhor? Dá pra ver na foto a Torre Eiffel se eu ficar assim? Qual filtro coloco?”. Depois de encher seu cartão de memória e escrever sobre todos os detalhes da viagem em seu diário virtual – o Twitter – Maria volta ao seu país contente com a repercussão de suas publicações na web.

Desconsiderando o fato de o parágrafo acima ser uma história hipotética, com uma personagem fictícia, com certeza você se identificou com alguma das coisas ali ou, pelo menos, se lembrou de algum amigo tão nomofóbico quanto Maria. Para quem não sabe, nomofobia é o nome dado a essa fixação e dependência de celulares e eletrônicos. Se não está na rede, não aconteceu. Se não tem muitas curtidas, não foi importante. E assim segue esse ciclo, dando voltas e voltas em torno de um mesmo objeto: o próprio “eu”. O que era pra ser uma rede de relacionamento tornou-se um espelho virtual, onde você cria sua própria imagem, relata o diário de sua vida perfeita e feliz, e espera ansiosamente pela aprovação de seus amigos internautas. Voltando ao caso da nossa personagem Maria: ao invés de ela aproveitar a realização do sonho de sua vida, a garota só preocupou-se em registrar em seus aparelhos cada minuto de seu passeio. Mas e na memória, será que o registro está tão completo?

É completamente natural nossa vontade de compartilhar com nossos amigos e conhecidos os momentos especiais de nossas vidas, de tirar fotos, registrar. E, realmente, esses registros são uma maravilhosa lembrança com o passar do tempo. Mas deve haver um equilíbrio. Não podemos deixar que a tecnologia tome conta de todo nosso tempo – ainda mais com a facilidade dos smartphones conectados 24 horas por dia – e muito menos que seja a protagonista de nossa vida. E infelizmente já é, em muitos casos, desde a infância, o que envolve uma série de consequências como problemas de convívio social, obesidade, contato com conteúdos impróprios e influência dos mesmos, consumismo, entre outros.

Bom, eu ainda poderia estender esse assunto por mais algumas páginas, mas acredito que ele ficaria cansativo e, a esta altura, você provavelmente já deve estar alternando as abas do seu navegador enquanto lê. E não te culpo, pois estou fazendo o mesmo enquanto escrevo. Somos seres “cyber-hiperativos”.  Mas, para concluir, o recado é: desconecte-se! Saiba usar as redes sociais e as outras formas de tecnologia de um modo que não prejudique sua vida real. Aliás, saiba diferenciar o real do virtual. Não extrapole. Seus seguidores não precisam saber o que você comeu no café da manhã e qual roupa você usará na balada. A tecnologia está avançando, novos aparelhos estão surgindo e, junto com eles, inovações de comunicação e interatividade. Mas, enquanto a tecnologia se moderniza, nós estamos envelhecendo e não podemos esquecer que, no nosso caso, não há um novo modelo no mercado que possa substituir o que já se tornou ultrapassado.

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