E agora, José (Marin)?

Michael Barbosa

Em meio a um caos jurídico, CBF tem que lembrar por que existe e salvar o Brasileirão de 2014

Na quarta-feira, dia 15, Alexandre Corrêa Geoffroy, advogado e torcedor do Fluminense, conseguiu no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro uma liminar que obriga a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) a cumprir a decisão do Supremo Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) que puniu a Portuguesa em quatro pontos e salvou o time carioca do rebaixamento à série B do campeonato brasileiro. Por sua vez, menos de uma semana antes, na sexta-feira, dia 10, também na justiça comum, a Portuguesa conseguiu a sua liminar, derrubando a decisão do STJD, tendo seus quatro pontos de volta e salvando-se do decesso. O infindável Brasileirão de 2013, em sua quadragésima-alguma-coisa-rodada, chega assim ao – aparente – ápice do pandemônio jurídico que se tornou, com a proeza de ter (vejam!) duas liminares absolutamente opostas e simultâneas. O Brasileirão de 2014 corre sérios riscos se a CBF não parar de ser omissa e cumprir seu papel: fazer política.

(Foto: Marcelo Carnaval / Agência O Globo)

(Foto: Marcelo Carnaval / Agência O Globo)

O que tivemos até aqui foi uma sucessão de erros de todos os lados. A Portuguesa errou, feio, ao escalar Héverton, erro de direito, pois ignorou ou deixou-se ignorar o que era da lei. O STJD errou na condução do caso, pois não zelou pela integridade do campeonato, deixou margem para inúmeros “e se” (e se fosse o contrário?, e se fosse para rebaixar o Flamengo?, e se…), agiu, diz-se, em nome da legalidade, mas sem ser estritamente legalista, já que deixou espaço para os torcedores da Lusa barrarem a decisão do tribunal na justiça comum usando simplesmente o estatuto do torcedor, no que já era carta marcada na mídia há tempos. O Fluminense, se não errou, pode não ter se ajudado tanto quanto achava; não vai cair, mas manchou mais uma vez sua história, que já não prima pela lisura, e vai enfrentar tempos de forte hostilidade com o torcedor brasileiro.

Sobra a CBF, que deu a deixa à Lusa ao não fazer o que devia e divulgar a punição de Héverton no seu site; CBF que continua errando por se omitir e não agir politicamente no sentido de resolver esse imbróglio. Se não assumir a postura que lhe cabe, José Maria Marin – presidente da CBF, ex-jogador/governador de São Paulo e filhote da ditadura militar – pode deixar se perder algumas das poucas coisas que parecem certas e devidamente previsíveis no futebol brasileiro, a certeza de uma liga nacional de pontos corridos, em turno e returno, com data pra começar a terminar, como manda a cartilha das grandes ligas do futebol atual.

A essa altura já parece condenado o ideal, a manutenção do campeonato com 20 times – que conseguiu-se com muito custo. Com os recursos e liminares e processos transitando pelas kafkianas vielas da nossa justiça comum, e as ações de torcedores se multiplicando, é inimaginável um cenário em que tudo esteja resolvido até abril desse ano, quando deve(ria) começar o Brasileirão. Na prática, todos os cenários são caóticos, cabe agora, com o empréstimo do termo da saúde pública, uma política de redução de danos.

Se a CBF não se mexer e chegar, junto aos clubes, a um acordo, o campeonato não começa; se começar terá que ser por meios e resoluções dos próprios clubes – num momento que estão desorganizados entre si como não se via há muito tempo. O que parece mais razoável, agora, é José Maria Marin sentar à mesa com os clubes e sair com um acordo, que parece dificílimo de se costurar. Se não rebaixar Portuguesa, Flamengo e Fluminense, os outros times rebaixados, especialmente o Vasco da Gama, devem chiar; se não rebaixar ninguém e realizar um Brasileiro de 24 times, os pontos corridos podem ficar inviabilizados, ainda mais em ano de Copa do Mundo e calendário estreito, o que consagraria a imagem de um campeonato manchado pela sina da virada de mesa e do tapetão.

Nada é ideal no ponto em que se chegou, mas que dos males – que já são muitos – tenhamos os menores e que a CBF se vire para resolver e garantir o Brasileirão 2014, porque se a entidade serve para alguma coisa além de fazer Copa, é para isso. E agora? Dá um jeito, José.

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