O céu rachou?

Gabriela Lima

No verão, a quantidade de chuva aumenta e, junto com ela, vem luz, som e um rasgo no céu. Raio, relâmpago e trovões podem ser mais perigosos e bonitos do que você pensa

“RAIOS E TROVÕES!!!!!”. Se você é da década de 90, provavelmente, já sabe quem falava essa frase em um momento de fúria: Dr. Victor, tio do Nino nos episódios do Castelo Rá-Tim-Bum. Saindo da fantasia, em que uma pessoa com seus poderes provocava raios e relâmpagos, a natureza é que se encarrega de fazer esse fenômeno assustadoramente bonito. Um jogo de luzes e sons dentro de uma tempestade pode ser um prato cheio para quem ama observar e estudar os raios. E eles também têm sua preferência. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgou que 100 milhões de raios caem no Brasil. Nenhum país superou essa quantidade até a data da pesquisa.

Imagem ilustrativa de Dr. Victor. Sempre que ficava bravo, Raios e trovões vinham do céu (Foto: divulgação)

Imagem ilustrativa de Dr. Victor. Sempre que ficava bravo, Raios e trovões vinham do céu (Foto: divulgação)

A origem

As fotos de raios são curiosas. Um céu azul cortado por uma linha branca que aparenta ser uma “rachadura” no céu. Mas, afinal, o que são raios? Como eles se formam? Em entrevista à equipe, Fernando Tavares, meteorologista do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), disse que o raio é “uma descarga elétrica que acontece entre a base da nuvem e o solo, que pode ocorrer dentro da nuvem ou entre uma nuvem e outra. Durante a formação de uma tempestade, ocorre a formação de gelo no topo da nuvem. Quando o gelo começa a cair, é que são formadas e separadas as cargas elétricas. A base da nuvem, geralmente, fica negativa e o topo positivo. Chega uma hora em que a carga se acumula de tal forma que a atmosfera não consegue mais manter essa diferença de potencial entre a nuvem e o solo ou a base e o topo da nuvem”, explica Fernando.

Raios são fenômenos muito bonitos, porém, muito perigosos. Grande quantidade de energia é liberada com ele (Foto: Brasil Escola)

Raios são fenômenos muito bonitos, porém, muito perigosos. Grande quantidade de energia é liberada com ele (Foto: Brasil Escola)

O raio acontece e o clarão que o acompanha é chamado de relâmpago. A forte descarga elétrica produz luz que aparece antes do som, o conhecido trovão. O poder que os raios têm é grande, já que milhões de volts os envolvem. Eles são praticamente uma pequena usina elétrica. Um documentário produzido pela National Geographic descreveu com ricos detalhes questões que envolvem desde a formação de um raio até os seus desdobramentos. Michael Utley, um dos entrevistados pela NG, teve uma experiência ímpar: sobreviveu após um raio ter atingido o lugar em que ele estava. A forte descarga de eletricidade em um ser humano faz o coração parar imediatamente, por isso, sobreviver a um dos fenômenos da natureza mais perigosos é raro.

Assista ao documentário:

No Brasil, principalmente no verão, a incidência de raios aumenta em virtude da maior quantidade de tempestades. Na semana passada, uma turista faleceu no Guarujá (SP), após pouco tempo depois de entrar no mar e um raio atingi-la. A massagem cardíaca feita pelos amigos pouco adiantou, era necessário um atendimento médico o mais rápido possível. Nem mesmo o Cristo Redentor deixou de ser atingido por um raio. Também na semana passada, um dos pontos turísticos mais importantes do Rio de Janeiro, teve que ser consertado após um raio ter caído nele.

Veja o vídeo do raio atingindo o Cristo Redentor:

Perigo, Cuidados e Curiosidades

Embora os raios sejam um fenômeno muito bonito de se observar, é melhor a observação ser feita de um lugar seguro. O meteorologista do IPMet deu algumas dicas para evitar que acidentes como os de Utley, da turista do Guarujá e do Cristo Redentor não aconteçam e não provoquem mais danos à saúde. Segundo Fernando, “assim que se ouve algum barulho da tempestade, o ideal é sair do campo aberto, como piscina, campo de futebol, evitar manutenção em topos de prédio ou telhados. Lugares seguros são dentro do carro ou de uma residência. Também é bom ficar longe de árvores, postes e redes elétricas”, recomenda. O Brasil, além de ser um país com grande incidência de raios, os que aqui caem, vêm de uma maneira diferente. Segundo a pesquisa do INPE, 90% dos raios do resto do mundo têm carga negativa, e muitos dos que caem no Brasil são de carga positiva. O que não é muito bom. Raios positivos são mais perigosos e ameaçadores, por isso, é bom se cuidar.

Na semana passada, nem o Cristo Redentor deixou de ver os raios bem de perto. A mão direita da estátua foi danificada

Na semana passada, nem o Cristo Redentor deixou de ver os raios bem de perto. A mão direita da estátua foi danificada (Foto: UOL)

Os raios são cercados por mitos e curiosidades e aqui vão alguns deles:

– Acha a superfície do sol quente? Um raio consegue ser mais;

-Um raio pode sim cair duas vezes no mesmo lugar (é raro, mas acontece);

– Sabe por que os para-raios ficam sempre no alto? Porque um raio procura o menor caminho entre a nuvem e a terra;

– É triste, mas apenas 20% das pessoas que são atingidas por um raio continuam vivas;

– 100 raios por segundo. Essa é a quantidade de raios que caem na superfície da Terra.

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