O de cima, sobe, e o debaixo, desce

Laura Fontana

Fórum econômico mundial alerta para aumento da desigualdade entre ricos e pobres

A avaliação anual sobre os perigos globais, que fornece o contexto para a reunião do Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), conclui que a disparidade de renda e a decorrente tensão social compõem o quadro que provavelmente mais impactará a economia do planeta na próxima década. O fórum alertou que há uma geração “perdida” de jovens que chegaram à maturidade na década de 2010 sem ter empregos e qualificação profissional, o que alimenta a frustração represada.

Davos, na Suíça, será o ambiente e a ocasião em que os membros representativos dos países deverão direcionar suas avaliações e deliberações sobre as ameaças que as pressões provocadas pela desigualdade de renda na sociedade. Entre as formas de pressão, que podem desembocar sobre a ordem econômica estabelecida, estão os distúrbios, manifestações e protestos de toda natureza com consequências sérias e imprevisíveis.

Esta é a primeira vez desde que assumiu a Presidência da República, em janeiro de 2011, que a presidente Dilma participa do Fórum Econômico Mundial, em Davos. Em meio a críticas à política econômica de seu governo, ela conversará com empresários e investidores internacionais no fórum. Dilma também fará uma palestra durante os debates. O Brasil, ao contrário de países como os Estados Unidos, por exemplo, vive as menores taxas de desemprego da história ecônomica nacional. De acordo com especialistas, nosso país possui seguras condições financeiras, apesar de sentir efeitos adversos das crises internacionais na balança comercial.

A presidente Dilma Rousseff durante discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça (Foto:Laurent Gillieron/Efe)

A presidente Dilma Rousseff durante discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça (Foto:Laurent Gillieron/Efe)

Dilma representa o país com média de crescimento da economia girando em torno de 2,2% nos últimos três anos (de 2011 a 2013), o que não compromete sua capacidade de resistência e recuperação em momento oportuno. Tais valores são refletidos justamente na questão da desigualdade social, que vem decrescendo nos últimos dez anos de forma consistente, inclusive. No entanto, o brasileiro ainda se vê espremido pela inflação e pelo baixo crescimento, e se mantém inerte diante da pressão crescente nos rombos das contas externas: “No Brasil circula uma visão negativa no que diz respeito a alta inflação aliada a um pequeno crescimento do PIB  e, no fundo, é isso que desagrada o mercado financeiro e a indústria,  já que a resposta esperada pelo mercado é o aumento da taxa de juros para frear a inflação”, afirma Felipe Husein, estudante de economia da Unicamp e funcionário de um fundo de investimento em ações, em Campinas.

Quando questionado sobre as políticas econômicas adotadas por Dilma em seu governo e expostas agora, no Fórum Econômico Mundial, Felipe pondera: “Apesas da questão inflacionária, vivemos nas taxas de desemprego mais baixas da história, o que, de fato, ajuda eleitoralmente a presidente e deixa boa parte da população satisfeita, ao contrário das classes privilegiadas, que assistem ao aumento dos salários que podem impactar suas margens”.

Tudo se trataria de diferentes pontos de vista: “Eu diria que a situação econômica brasileira, se for medida por crescimento do PIB e inflação, não está boa, mas acredito que, na visão da Dilma, não é só isso que interessa. Baixo desemprego, diminuição das desigualdades através de programas governamentais são o foco e é por isso que há sempre um desacordo entre ela e o mercado em geral, o que tem impactos na economia, já que uma visão ruim dos empresários frente ao nosso governo faz com que os investimentos não cresçam na velocidade ideal. Isso atrapalha o crescimento geral da economia e possivelmente contribui com a inflação, já que existem pessoas favorecidas com o aumento do salário mínimo, querendo consumir, e não há uma oferta que cresça na mesma proporção”, completa o estudante de economia.

 

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