São Thomé das Letras: o paraíso no sul de Minas?

Bibiana Garrido

Depois de uma transformadora viagem de ano novo, João Vitor Reis, o Ninja, conta o que viu, o que fez, e o que achou da cidade mais hippie do Brasil 

São Thomé das Letras fica a 350 quilômetros de Belo Horizonte e, no entanto, quando o mochileiro lá se encontra, parece estar em outro mundo. Com pouco mais de seis mil habitantes, a cidadezinha ganhou fama de alternativa por conta da identidade hippie que a cerca, seja no artesanato, nos costumes locais ou na própria arquitetura dos prédios e casas. A aura mística de São Thomé tem início já na lenda de sua fundação: o encontro de uma estátua do santo homônimo por um escravo fugido do Barão de Alfenas. Quando recapturado, o escravo contou sua história ao patrão que, impressionado, o liberto e também mandou construir uma igreja em homenagem ao santo.

Destino turístico famoso entre aqueles que procuram experiências novas, São Thomé acabou atraindo Ninja, a dois anos de completar suas três décadas de existência, e alguns amigos para a virada do ano.

– Os amigos sempre me contavam. Falavam que era uma cidade-hippie. Dizia-se bastante do chá de cogumelo e dos lisérgicos em geral, das experiências transformadoras de outros amigos. Como não estava afim de uma virada de ano com a família mais uma vez, pequei só o Natal e corri atrás.

– Alguns acreditam que lá se encontra um dos sete pontos enérgicos do planeta. Pra você, que visitou São Thomé recentemente, existe algo diferente das outras cidades? – perguntei

– As pessoas são pra lá de diferentes e têm outras peculiaridades, outros costumes. Pra todo problema, em “meiórinha” se resolve. Achei legal que, por causa do quartzito que extraem de lá, o local parece aquelas cidades de RPG. É predominantemente feito dessa pedra.  Em “meiórinha” se atravessa toda a cidade, que é bem pequenina. Fora isso, só as cachoeiras, que são muitas. Um lugar místico que tinha era um caminho sem saída cujo final tinha alguma força repelente: corria-se pra frente, mas com a sensação de que se está voltando, e vice-versa. Foi engraçado que tinha um grupo de cariocas juntos que pirou com a gente correndo ao contrário: “tem uma ‘enerrrgia ali!” disse ela, com um vislumbre que não costumo ter.

(Foto: João Vitor Reis)

(Foto: João Vitor Reis)

– Qual o melhor rolê de São Thomé? Conte-nos um pouco sobre os passeios que você fez nessa viagem!

– Bem… Sobre cachoeiras, fui só em uma, mas tem muitas, muitas mesmo. Fui na do Vale das Borboletas. Rochas cristalinas enfeitavam o local, tanto pras corredeiras como pra se montar alguma construção com placas de pedra. Entre as grutas fui numa no centro da cidade, que tinha uma imagem de São Thomé sem cabeça. Um lugar bem legal, onde todos os turistas se reúnem, é uma casa no topo da cidade que chamam de Pirâmide. De lá, muita gente se reunia pra ver o Sol se por, ver o céu repleto – literalmente – de estrelas e também pra ver o Sol nascer. O diferencial é que não é pra se ver um Sol inteiro, redondinho, nascer. Lá tem muitas nuvens e, por causa da altitude (1440m), dava até pra ver a direção em que elas iam com o vento. Resultado: é um Sol que desenha as nuvens. Se refaz em formas magníficas, tipo um “chapéu de bruxa” ou coisa assim. Mas o verdadeiro rolê – a energia que muito procuram de verdade – é a caça aos cogumelos. O sul de MG é canto de rochas duras e se produz leite, muito leite, e muitas vacas pastando, e dejetando. Com as oscilações de fortes chuvas e forte calor, os fungos do esterco se desenvolviam e formavam os “cogus”. Tinha gente que colhia direto do esterco e comia. Foi minha primeira viagem e William Blake estava certo: árvores dançavam; conheci os seres da madeira e do fogo; amigos se revelaram duendes. Quem me deu os primeiros cogus era um rasta que vivia lá há um ano. Surgia em momentos sempre inesperados. Enfim… metáforas à parte, o segredo dos cogumelos está lá.

(Foto: João Vitor Reis)

(Foto: João Vitor Reis)

– E a hospedagem, é barata? Foi difícil chegar lá?

– A viagem foi longa… Como moro em Guarulhos, fiz uma viagem de 40min, sem trânsito, até o Tietê, peguei ônibus até Três Corações (4h30 de viagem) e depois, um ônibus por mais ou menos 1h até S. Thomé. A hospedagem é barata pra quem procura uma semana. Eu e mais dois amigos de Bauru nos juntamos com outros quatro de Ilha Solteira: sete pessoas num puxadinho onde cabiam duas. Como S. Thomé é uma cidade pequenina demais pra receber turistas, a sobrecarga era inevitável e a luz e água faltaram na época da virada do ano: sempre acabava e voltava. No dia da virada a luz acabou por completo na cidade – o que ajudou a fazer arte com as fotos que tirei, inclusive com os fogos.

– Por que São Thomé é diferente? O que você diria para alguém que ainda está em dúvida sobre visitar ou não a cidade? Valeu a pena?

– S. Thomé tem pedras diferentes, um santo diferente, pessoas de cultura diferente. Por isso é diferente. Agora eu diria que fora o turismo das grutas e cachoeiras, há o turismo dos lisérgicos. Lá é uma cidade livre para a troca e o consumo – até a PM de lá me pareceu parte disso tudo. Diria pra quem não foi ainda que lá é uma cidade pra todos! Vão lá de famílias inteiras até jovens aventureiros, passando por hippies que literalmente amam Raul, Janis, Doors e muito reggae. Lá também tem uma cena artística fortíssima, artesanato belo. é a terra do Ventania, que é o mais famosos dessa cena. Por lá houve um festival de bandas em sua 1ª edição onde o Ventania e até umas banda muito legais tocaram. Curti uma de instrumental chamada Rao Caiuá e uma outra de Blues-Reggae chamada Derivados da Natureza. Enfim… essa cidade quase me sugou.

E pra terminar essa reportagem e dar um gostinho a mais do clima de São Thomé das Letras, fique com essas fotos sensacionais que o Ninja tirou de lá! Aproveite a viagem!

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