Experiências em animais: Um dilema ético a favor do humanismo

Ian Douglas

Ainda que controverso, o uso de animais pela ciência é fundamental para a proteção do meio ambiente e das vidas humanas

A experimentação em animais é fundamental para diversos setores da indústria e da ciência. A produção de remédios e cosméticos são comumente associadas à prática, mas ela também é profundamente utilizada na produção de agrotóxicos e nas substâncias químicas de alimentos industrializados.

Por que é preciso realizar testes em animais? (Foto:Reprodução/Shutterstock)

Por que é preciso realizar testes em animais? (Foto:Reprodução/Shutterstock)

Para que o uso de um pesticida seja aprovado na Europa, diversas medidas protecionistas ao meio ambiente devem ser tomadas. É preciso determinar se ele pode ser absorvido pela pele, inalado, sua retenção no solo, além do efeito no organismo de seres vivos de diferentes idades. Para que um único agrotóxico seja aprovado, pode ser necessário mais de dois anos e testes em mais de 10 mil animais de diferentes espécies.

Na medicina, os animais são usados principalmente para a realização de testes de toxicidade. Eles recebem as substâncias sistematicamente para se verificar se elas oferecem risco a seres humanos. O procedimento é necessário, pois nem sempre é possível se prever os efeitos dos agentes químicos em organismos complexos e é preciso testá-los em seres vivos antes que se passe para o teste em pessoas.

Ativistas dos direitos dos animais questionam a eficiência dos testes, uma vez que apenas 20% dos remédios aprovados em animais continuam a ter o efeito desejado em humanos. Entretanto a prática é mais uma forma de proteção do que um método que garanta a eficácia do medicamento. Já nessa etapa, muitas substâncias tóxicas ou indesejadas são eliminadas antes mesmo de chegar às cobaias humanas. Os cientistas ainda têm a preocupação de selecionar as espécies com o organismo mais parecido com o nosso para se maximizar a eficiência da técnica.

No mundo inteiro se buscam alternativas que não firam os direitos dos animais. Baseados em três princípios: redução, refinamento e substituição. Os experimentos continuam sendo realizados, mas as técnicas são continuamente refinadas para melhorar a sua eficiência e reduzir cada vez mais o uso de seres vivos até que finalmente possam ser substituídos.

A União Europeia obriga que métodos alternativos sejam utilizados, desde que disponíveis e eficazes. Em 2013, o continente proibiu o uso de animais na indústria de cosméticos. A mesma medida foi sancionada pelo governador Geraldo Alckmin no mês passado. Mas em alguns casos, ela é de difícil execução, uma vez que cosméticos também podem trazer benefícios à saúde, ou usar componentes químicos de remédios que utilizaram animais.

A questão envolve diversos problemas sociais que não podem ser ignorados. É impensável o suprimento da demanda de alimentos mundial sem a utilização de agrotóxicos. A regulamentação de testes em humanos foi uma conquista de Nuremberg após séculos de abusos e violações dos direitos fundamentais.

Nem por isso a experimentação animal é realizada levianamente. As ações são reguladas por conselhos de ética das agências estatais, além da legislação de cada país. Os três princípios que norteiam os experimentos, tem feito mais para a redução do sofrimento dos animais do que o ativismo radical, que ignora problemas sociais e coloca os direitos animais acima dos humanos.

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