QUANDO TOCA, NINGUÉM FICA PARADO

Marina Spada

Carioca, paulista… o funk invade as festas junto com as recentes discussões sobre  a cultura da periferia

Não faz tanto tempo assim que o funk desceu os morros e tomou conta de baladas consideradas “burguesinhas”. Se até então o ritmo era característico das periferias urbanas, hoje já podemos notá-lo se misturando com a multidão. Desde o ano passado, o funk vem sendo pautado em discussões acaloradas principalmente nas redes sociais, isso por conta de notícias de execuções de funkeiros e, mais recentemente, no contexto dos rolezinhos.

MC Guimê é um dos nomes mais conhecido do Funk Ostentação, no cenário do momento. (Foto: Divulgação/Tico Fernandes)

MC Guimê é um dos nomes mais conhecido do Funk Ostentação, no cenário do momento.
(Foto: Divulgação/Tico Fernandes)

Se houve uma coisa que a polêmica causada pelo rolê dos jovens conseguiu ganhar foi holofotes para a cultura das periferias. A pauta rendeu milhares de análises de especialista, de renomados jornais do país e foi assunto em qualquer rodinha de bate-papo. Em meio a tantas opiniões, os posicionamentos sobre o funk não poderiam ficar de fora. O chamado “Ostentação” se tornou o queridinho das discussões.

O funkeiro e produtor do gênero MC Barinho ensina: “Existem quatro tipos de funk: o Funk Melody, que tem mais aquele clima romântico mas sem perder o ritmo. O Proibidão, que incita o crime, o Funk Putaria, que fala sobre sexo. E o Ostentação, que é sobre luxo, dinheiro, poder…”. Barinho  faz produções de todos os tipos, mas fica com um pé atrás com o Funk Ostentação: “Os Mcs do Ostentação visam muito o poder e às vezes acabam esquecendo suas raízes. São muito poucos os que falam de ajudar a comunidade”. Ele ainda disse acreditar que hoje em dia o funk já não sofre tanto preconceito, mas que isso muda quando se trata do Proibidão. “ Nunca sofri nenhum preconceito”, esclareceu.

O MC Barinho vive em uma cidade do interior de São Paulo relativamente grande e faz suas produções de funk – que ele chama de Barinho Recordss – ao modo mais caseiro. “Eu tenho condições de gravar no estúdio mas optei por gravar minhas músicas no gravador do celular”, ri. Disse ainda que existem dois tipos de estúdios do funk, os profissionais e os improvisados feito com “caixinha de ovos”. “A diferença na qualidade é quase invisível”, garantiu. Perguntado sobre o estilo de vida dos Mcs, ele disse depender completamente da fama de cada um e lamentou o fato de muitos serem patrocinados por traficantes. Mas nem sempre é assim: “com a invasão do Funk Ostentação na mídia, acontece muito do próprio pai dos Mcs entrarem com patrocínio.”, completa.

Rindo sempre, ele termina a entrevista com um convite para conhecer mais o seu trabalho. “Curte lá a página do Barinho Recordss no Facebook.”

O carinhosamente apelidado “batidão” já é pedida certa nas festas de qualquer “lado” das cidades. Zona Sul ou Zona Norte, casa noturna ou alto do morro; o funk está passando por um período de maior aceitação popular, mas o caminho até se desvincular da imagem que as pessoas fazem de uma suposta relação com a criminalidade ainda é longo. Mas a verdade é só uma: favela ou burguesia, quando começa o batidão todo mundo dança. Até o chão.

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