Como os clássicos do pop rock melhoraram aquela tarde monótona de domingo

Lígia Morais

Na área de convivência, a banda começava a se ajeitar. As pessoas iam pra piscina, comiam um lanche ou terminavam de ver o campeonato de judô que rolava ali do lado na quadra de esportes. Grande parte nem sabia do show que ia agitar o SESC de Bauru quando anunciaram a banda de cover rock Jackflash. Luciano, Delmon e Carlos André – que todos chamam de Camarão – entraram no palco acompanhados de Eduardo Vianna, convidado a fazer uma participação especial. Dali em diante o pop rock acústico da banda encheu o salão de pessoas que acompanhavam o ritmo com os pés e com o corpo. Elas cantavam também de cor as letras dos Beatles, do Elton John e do Supertramp. O cover de “Mrs. Robinson” de Simon & Garfunkel foi aclamado. Ainda Eagles, Led Zeppelin, A-ha, Dire Straits e Pink Floyd.

À esquerda, Delmon Nascimento com o violão e Eduardo Vianna tocando a flauta transversal. À direita, Luciano Gutierrez com o baixolão e Carlos André Donzelli na bateria (Foto: Lígia Moraes)

À esquerda, Delmon Nascimento com o violão e Eduardo Vianna tocando a flauta transversal. À direita, Luciano Gutierrez com o baixolão e Carlos André Donzelli na bateria (Foto: Lígia Moraes)

A preferência dos músicos foi por uma sonoridade mais rústica, com arranjos vocais ora originais ora personalizados. Ao encerrar com o eletrizante coro de “Psycho Killer” do Talking Heads, a banda piracicabana voltou ao palco pra atender os pedidos do público: “Mais uma!”. Convidando todos a dançar, o que muitos fizeram – inclusive aquele cara mais animado que pulou o show inteiro –, tocaram a sempre conhecida “Pretty Woman”, que fechou a tarde do domingo com muitos aplausos daquela mais variada plateia. No final do show, enquanto agradeciam os elogios das pessoas que passavam, contaram um pouco mais sobre a banda.

Banda

Como começou a banda?

Delmon: Ela existe desde 2004, mas já passou por várias formações até a atual. Esse ano a banda já completa 10 anos.

Luciano: Eu e o Delmon nos conhecemos desde criança. Alguns anos mais tarde nos reencontramos e resolvemos montar uma banda estilo pop rock. Antes, ela era o que chamávamos de “plugada”, uma banda pop rock normal. Depois que ficamos com esse estilo mais acústico. Mudamos os arranjos das músicas, pra continuar nessa pegada, também pra tocar em bares onde não pode ter muito barulho.

Por que vocês decidiram tocar um repertório variado e não optaram por serem cover de uma banda só?

Luciano: Acho que escolhemos fazer um tributo justamente pra poder pegar vários elementos de bandas que a gente curte, bandas que nos influenciaram e influenciam até hoje. Cada um pega um pouco do que gosta e vamos fazendo uma colcha de retalhos do rock.

Banda

Qual a principal dificuldade pra uma banda cover?

Camarão: A principal dificuldade hoje é arrumar lugar pra tocar. Não só aqui em Bauru, mas em Piracicaba – de onde nós somos – e no estado inteiro. A desvalorização do músico está muito grande. Não só do cover rock, mas de outros estilos também. E ainda não só de bandas cover, mas também das que compõem. Até por uma questão financeira, os bares tem optado por DJs ou por música ambiente, nada contra. Mas a desvalorização realmente é o principal empecilho de se fazer música no Brasil como um todo.

E qual a qualidade principal que uma banda cover tem que ter?

Camarão: A banda tem que contagiar. A nossa proposta fazer releituras das músicas. Elas não são iguaizinhas às originais. Tem um pouco da escola de cada um. E acho que isso acaba contagiando um pouco o pessoal, principalmente pra dançar.

Luciano: É, a gente procura trabalhar bem os arranjos de vozes e fazer releituras das músicas. As pessoas, quando vão ao nosso show, não vêm pra ver uma banda cover caracterizada, por exemplo. Elas vêm pelas influências. E nós somos um trio – hoje, na verdade, um quarteto – que leva suas influências do pop rock em formato acústico para o palco.

Banda

Qual é o som que vocês mais gostam de tocar?

Camarão: Pra mim é o Supertramp. Do Kiss também.

Luciano: Gosto muito do Elton John e do Elvis.

Delmon: Igual o Camarão, gosto muito das músicas dos anos 80. Do Kiss, por exemplo, mas de outras da época também. Não deu pra tocar todas, claro, não deu pra mostrar todo o nosso repertório hoje.

E vocês tem algum projeto futuro?

Luciano: A banda hoje é cover, mas também tem projetos pra ampliar o repertório com músicas autorais. A Jackflash tem isso em mente.

Camarão: É, o cover agora é pra pagar as contas.

A entrevista terminou com algumas risadas e uma última foto com todos da banda. Mas exatamente o refrão da música “Psycho Killer”, um dos melhores covers que eles apresentaram, continua repetindo infinitamente, apenas pra relembrar aquela não mais monótona tarde de domingo.

Para saber mais sobre a banda: facebook.com/acusticojackflash 

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