O frio que acolheu

Amanda Fonseca

Calçadas, ruas, telhados, tudo era neve. No termômetro registravam -15°, e eu? Só queria encostar naquele tapete branco e tocar a neve pela primeira vez. Acabara de chegar em Salt Lake City, a capital de Utah, e essa seria minha casa por três semanas e, posso afirmar: essa foi minha casa por três semanas.

A viagem foi planejada por dois anos, aliás, foram dois anos convencendo meu pai que eu precisava dessa viagem. Convenci. Não me lembro exatamente quando, maio talvez. Mas o grupo da viagem sairia em julho e seria impossível organizar tudo em dois meses. Adiei, prolonguei minha ansiedade por meses, até janeiro.

Minha ansiedade e as noites mal dormidas valeram a pena. Trocar o verão dos Estados Unidos pelo inverno valeu muito a pena! Embarquei em janeiro de 2009, exatamente dois dias após o Ano Novo e, por algumas semanas, experimentei uma vida nova.

Antes de chegar nos Estados Unidos, não tinha muita ideia do que iria encontrar. A cidade do Lago Salgado é a capital da religião mórmon. Assim, eles têm seus costumes disseminados. Dormir cedo, usar roupas mais recatadas , anel de castidade para as crianças, rezar antes do jantar e ir à missa todos os domingos durante três horas são alguns deles. Outra característica interessante ligada à religião é que as famílias normalmente são grandes, compostas por 5 ou mais membros. A família Skinner foi quem me hospedou e, desde o momento em que cheguei, me senti adotada por eles e pelos pequenos: Sadie, Whitney, Tyler e o bebezinho Peter.

Diferentemente de outras cidades nos Estados Unidos, Salt Lake não é um convite à agitação. Mas suas paisagens e todo aquele cenário gelado me encantaram. Durante minha estadia, tentei aproveitar todas as atrações que meu itinerário permitia. Conheci a famosa estação de esqui que sediou os Jogos Olímpicos de Inverno em 2002. Descobri que patinação no gelo não é uma vocação, é coisa de filme, impossível!  Impossível também foi resistir às liquidações do ótimo centro de compras da cidade. Mas as coisas mais divertidas que tive a oportunidade de experimentar foram: o tubing, uma espécie de skibunda na neve, a vibração de um jogo de basquete e o fight de um jogo de hóquei.

Salt Lake, apesar do frio intenso, me acolheu. Por enquanto foi uma das melhores, senão a melhor, experiência da minha vida. Conheci pessoas maravilhosas: a simpática professora de inglês que servia o exército americano e estava prestes a ir para o Afeganistão, o americanos engraçados no trem, os brasileiros que, ironicamente, eu nunca conheceria no Brasil.  Passei um mês longe da minha família, dos meus amigos, tentando me adaptar a uma nova rotina, a novas responsabilidades, a uma nova cultura, um novo país. Se alguém me perguntar o que aprendi com essa viagem, eu diria que às vezes é bom ficar longe de tudo, ir sozinho para um lugar desconhecido e sentir o friozinho na barriga do novo e a liberdade que o dia-a-dia não te proporciona. Pode até não ser para Salt Lake, mas se tiver a oportunidade, viaje sozinho!

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